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Silvio Gebram deixa um museu como herança histórica para Jundiaí
São diferentes coleções, de obras de arte a miniaturas, em três andares na Chácara Urbana
Edu Cerioni
Silvio Gebram realizou um antigo sonho ao criar em 2021 um museu em Jundiaí. Pena que curtiu pouco o lugar. O objetivo era abrir as portas ao público, especialmente aos estudantes para que pudessem conhecer mais da nossa história, plano adiado por conta da pandemia da Covid-19. Agora, cabe a seus herdeiros apresentar a mais gente o verdadeiro túnel do tempo particular de Silvio, com milhares de peças.
Foi ali que ele disse adeus neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, tão bem representada em quadros, esculturas e outras tantas formas no batizado Espaço Cultural Marbeg (Marbeg vem de Gebram de trás para a frente). Ninguém guardou tantas obras de Semíramis Rosa Mojola, por exemplo, ou tantos livros e poemas de Sônia Cintra, duas artistas já falecidas. Silvio foi amigo delas e soube dar valor ao que criaram. De Semíramis, inclusive, presenteou a cidade com uma escultura gigantesca que a gente pode ver na chamada Fonte dos Noivos, na praça de entroncamento das avenidas 9 de Julho e Frederico Ozanan.
O espaço conta com três andares e 660 m² e dentro dele existem preciosidades mais que centenárias, raridades do Brasil ou vindas de outros países que o JundiAqui teve o privilégio de apresentar com exclusividade – relembre. E ali cabem desde uma coleção de bichinhos de pelúcia da Parmalat da filha de Sílvio e bússolas e um escafandro do século passado, além de leões de madeira ocos dos tempos do Império e usados para o contrabando de ouro, até coleções de pinturas e esculturas e cerca de 3 mil caixinhas de fósforo e incríveis 24 mil miniaturas de garrafas, distribuídas em 122 estantes e separadas pelo tipo de bebida. Essa coleção foi apresentada até no programa “Fantástico”, da TV Globo.
Nos jardins há leões em tamanho natural, um a cada lado da porta, além de obras de Tao Sigulda, entre postes de iluminação ingleses e abaixo de um grande relógio que Sílvio chamava de “Little Ben”, por ser uma cópia do Big Ben londrino.
Tem canhão de luz cinematográfico de Hollywood, bules de agata e porcelanas banhadas a ouro e coleção de rádios, cachimbos, balanças, relógios, baleiros, ferros de passar, máquinas de costura, de escrever e de somar… Entre os milhares de itens, ele me garantiu que o grande xodó era uma pintura de seu tio querido Zecê, o Zico da Caixa, que lhe tocava o coração, por ser um retrato da poodle Pitch, o cão mais querido que o jundiaiense teve.
Há ainda réplicas de barcos ao lado de bússolas, lunetas e até a parte superior de um escafandro em ferro fundido e que pesa uma enormidade. Cabem ali também divindades indianas, vitral de igreja, estátuas em mármore, arte em seda japonesa e até um escudo de armadura feito de alpaca, assim como móveis diversos.
O Espaço Cultural Marseg abriga ainda o Museu Fortunato Antonio Milani, o Tico, futebolista, orador, historiador e filantropo. Como ele me disse em 24 de fevereiro de 2021: “É tudo eu, com os méritos e os defeitos”.
Fotos: Edu Cerioni