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Minuto de silêncio: do barro se moldou a história de Angelina Zambelli
Obra da artista que escolheu Jundiaí como sua terra ganhou detaque mundo afora
Rita Cerioni
Morreu nesta terca-feira (6), aos 62 anos, a artista plástica Angelina Zambelli. Paulistana, escolheu morar em Jundiaí. Artista de corpo e alma, Angelina traduzia em peças de cerâmica de forma livre, sua pluralidade e personalidade de mulher forte, expressiva, guerreira.
Angelina sempre esteve às voltas com a arte, criando e difundindo. Esteve à frente da loja Gibi, onde promovia eventos e alimentava a paixão de gerações pelas histórias em quadrinhos. Se entregou por anos à essa arte, e soube exatamente o momento de fazer uma transformação, de perceber que não havia mais espaço para seus heróis em papel.
Sábia, de sorriso largo e olhar firme, se entregou à cerâmica. Criou peças para espaços internos e externos, expondo em eventos individuais como “Solos”, exposição realizada na Pinacoteca de Jundiaí em 2017 e dezenas de exposições coletivas. Sua arte foi premiada na 10ª exposição de arte de Bunkyo em 2013 e também em 2016 e na exposição de cerâmica artística Ykoma, em 2012.
Participou da 2ª Bienal Cerâmica de São Paulo, no Centro Cultural Olido, que reuniu 58 mestres dessa arte na Capital até o último domingo, 4 de novembro.
Este ano, Angelina lançou uma coleção de jóias em cerâmica da designer Raquel Acioly, traduzindo sua marca de mulher versátil, mesmo frente às adversidades.
Angelina criava, apesar e para além de um câncer que tratava há anos.
Escreveu uma história de vida intensa e repleta de cores ao lado de Roberto, Bruno e César. Em sua página, a frase de Nietzsche: “Temos a arte para não morrer de verdade”. Sua vida está eternizada em sua arte. “Inté”, como você costumava me dizer no final dos nossos encontros.Em agosto de 2017, a artista foi tema de reportagem no JundiAqui (leia) e também de artigo de Cláudia Bergamasco, A terra de Angelina Zambelli, por conta de exposição na Pinacoteca Municipal – onde esteve em maio daquele mesmo ano para prestigiar as obras do amigo Inos Corradin e na qual foi fotografada por Edu Cerioni junto com Marco Antonio André (abaixo).
Fotos: Arquivo JundiAqui e Divulgação