
“Às favas com os escrúpulos”
Pelo Dr. Didi
Atribuem a frase acima ao coronel-ministro da Educação Jarbas Passarinho, por ocasião da decretação do Ato Institucional nº 5 – o AI 5, isso em 13 de dezembro de 1968, pelo marechal Arthur das Costa e Silva, então presidente de plantão do Brasil.
Rezam “as escrituras” que no dilema entre assinar ou não o ato, que cassou todos os direitos constitucionais, Passarinho tentou minimizar seu dilema de consciência, afinal tinha resquícios de democrata.
Hoje não temos nenhum ato cassando direitos constitucionais. O que temos é uma total falta de escrúpulos, generalizada, em todos os setores da vida política, administrativa e judiciária. Aí, diga-se, ministros-juízes da última instância do país.
Justamente essa, que foi constituída para ser a zeladoria maior das Leis Constituintes, já que as de primeira e segunda instâncias têm cumprido o seu papel.
Assim como em 1968, os ministros militares e civis mandaram “às favas com os escrúpulos”; os integrantes da Segunda Turma, não todos, lixam-se para o que a sociedade entende como Justiça.
Outro setor que também está a perder “os escrúpulos” é uma parte da imprensa. Mais uma vez alguns que, ao verem um novo nome surgir no cenário político com pretensões a candidatar-se à Presidência da República, já iniciam a desconstrução do personagem, que sequer disse a que veio.
Dias de fúria estão por vir. A defesa passional de personagens que ao longo da vida pública nada fizeram pelo país, ou que fizeram e depois destruíram. Ou daqueles que instigam o ódio e o preconceito podem nos levar a uma situação de conflito institucional que, como bumerangue, pode reeditar um novo AI-5.
Até!
Diógenes Augusto Archanjo da Silva, o Dr. Didi, é médico ortopedista